terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A impermanencia

Faz parte do treinamento dos monges budistas desenhar com areia colorida, construindo delicadas e complexas mandalas no chão. E eles dedicam a esta paciente arte, passam muito tempo nela, para depois, num gesto firme e decidido, destruí-las com a mão.

Analisando precipitadamente muitos de nós podemos expressar: "Que desperdício de tempo!". Mas o fato é que existe uma sabedoria atrás desse gesto. Eles o fazem propositalmente para lembrar que na vida nada é permanente.

Aprecio muito essa comparação. Ela nos faz um convite a não dependermos de coisas ou estados emocionais para sermos felizes.

Somos seres muito especiais, únicos, com uma incrível capacidade de amar, de perdoar, de crescer, de evoluir, de aperfeiçoar-nos. Somos filhos de Deus, somos herdeiros do universo, somos viajantes na direção do infinito e da perfeição.

Mas na verdade, a única coisa que realmente temos é o momento presente, com seus inúmeros convites ao crescimento pessoal e múltiplas opções de ação, ou não-ação. É claro que as coisas que fazem parte da nossa vida são importantes e queridas, mas uma dose de desapego também pode trazer-nos um enorme benefício.


Somos herdeiros do ontem e semeadores do amanhã. Estamos escrevendo nossa própria história, o livro de nossas vidas.

Podemos mexer em nossa vida, só não podemos mexer em dois dias, o ontem e o amanhã. Ontem é passado, não existe mais, amanhã é futuro que ainda não chegou e quando chegar e você abrir os olhos, será chamado de hoje, não é mais amanhã.

Nossa mente, na fase atual de nossa existência, de nossa evolução, está contaminada pelos chamados venenos da mente, que são divididos em três categorias principais:A primeira é o apego ou desejo que inclui o ficar preso física ou mentalmente a pessoas, objetos e fenômenos.

· A segunda é a raiva que significa rejeitar, não querer, afastar algo de você.

· A terceira é a ignorância que significa não ter uma noção clara da vida, não compreender a natureza verdadeira das coisas.

Cada um destes venenos age de maneira interdependente. Ocorre que, quando não temos uma visão real da vida, acabamos criando desejos e apegos. E quando não conseguimos o que queremos, criamos aversão e ficamos com raiva.

Os venenos da mente agem como toxinas, criando energias mentais negativas. Estas energias são expressas em nossas ações, palavras e nossos pensamentos, causando um sofrimento cíclico, em cadeia, que se repete infinitamente, até que venhamos a quebrar esta situação, mudando a direção de nossa mente, de nossos passos.

Visando este objetivo, precisamos tomar consciência da realidade da impermanência em nossa vida presente. Para isto, existem inúmeros exemplos. Vamos usar um muito comum no Oriente.

Encare sua vida como se fosse um banco no parque, em uma tarde de clima ameno. Você vai até lá passar algumas horas, sentado, aproveitando tudo ao máximo: a brisa fresca, os pássaros cantando, as borboletas, o sol batendo no rosto. Tudo aquilo dura pouco tempo e vai chegar ao fim. Por isso, você deve aproveitar o momento e criar boas condições, criar méritos.

Você não se deve apegar ao banco. Não tente colocar uma etiqueta nele com o seu nome, querendo mantê-lo para você! Isso vai impedi-lo de sentir o prazer e a liberdade de estar lá, simplesmente sentado. E se alguém se sentar com você, seja gentil, tratando-a com amor e compaixão. Não brigue com esta pessoa. Seu tempo é muito curto. Vocês estão ali apenas de passagem.

Ao lembrarmos de que tudo na vida é impermanente e chega ao fim, podemos ser generosos com ela, sabendo que provavelmente ela nunca pensa no fato de que ter de deixar o banco em breve, assim como você. Todos nós queremos manter as coisas e não o conseguimos. Temos de ter compaixão por elas e por nós mesmos. Compreender a impermanência faz-nos ricos: temos tudo neste momento e podemos ser generosos, abertos, decididos a fazer o que pudermos para beneficiar a todos com o nosso amor, sem medo de perder.

Sempre que ministramos e compartilhamos treinamentos de impermanência, meditação, controle da respiração e temas ligados ao auto-equilíbrio, surgem perguntas relativas ao karma.

"O karma é algo criado por nós E tudo o que é criado pode ser alterado"

Explicamos então que karma é uma lei do Hinduísmo a qual defende que qualquer ato, por mais insignificante, voltará ao indivíduo com igual impacto. Bom será devolvido com bom; mau com mau. Como os Hindus acreditam na reencarnação, o karma não conhece limites de vida/morte. Se o bem e o mal caem sobre si, se as pessoas se comportam de determinado modo consigo mesmas, isso se deve ao que fizeram nesta ou numa vida passada.

Acrescentamos ainda que, como somos senhores de nosso destino, é-nos plenamente possível modificar nosso karma, dependendo do nosso comportamento para o caminho do bem ou para outras direções. O karma é purificável através da educação e da meditação. O karma é algo criado por nós, e tudo o que é criado pode ser alterado. Só o que está além da criação - como a natureza absoluta da nossa mente - não pode ser alterado.

Perceber que nossa vida é impermanente é um grande tesouro, reconhecer que não irá durar para sempre neste corpo, neste estado em que estamos.

Entender a impermanência é crucial para a maturidade espiritual.

Ao contemplar a impermanência, olhe para a sua vida.

· De onde você veio?

· Onde você nasceu?

· Você ainda vive lá?

· Quem são as pessoas com quem você viveu?

· Você ainda vive com elas?

· Em que casa você viveu?

· O que vem acontecendo ao seu próprio corpo?

A MENTE APAGA REGISTROS DUPLICADOS

A MENTE APAGA REGISTROS DUPLICADOS
Por Airton Luiz Mendonça (Artigo do jornal O Estado de São Paulo)

O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos..
Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio.... você começará a perder a noção do tempo.
Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.
Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol.
Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar:
Nosso cérebro é extremamente otimizado.
Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.
Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia.
Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade.
Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo.
É quando você se sente mais vivo.
Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e 'apagando' as experiências duplicadas.
Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente.
Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo.
Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo.
Como acontece? Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa , no lugar de repetir realmente a experiência).
Ou seja, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa são apagados de sua noção de passagem do tempo.
Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida.
Conforme envelhecemos as coisas começam a se repetir - as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações, -.... enfim... as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo.
Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.
Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a...
ROTINA
A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.
Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e Marque).
Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos.
Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.
Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).
Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais.
Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo.
Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente.
Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes.
Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes.
Seja diferente.
Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos.. . em outras palavras... V-I-V-A. !!!
Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo.
E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o... do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.
Cerque-se de amigos.
Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.
Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é?
Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida.
E S CR EVA em tAmaNhos diFeRenTes e em CorESdi fE rEn tEs !
CRIE, RECORTE, PINTE, RASGUE, MOLHE, DOBRE, PICOTE, INVENTE, REINVENTE...
V I V A !!!

quinta-feira, 11 de março de 2010

PERDAS NECESSÁRIAS

As perdas são partes da vida. As perdas são necessárias porque para crescer temos de perder, não só pela morte, mas também por abandono, pela desistência.
Em qualquer idade, perder é difícil e doloroso, mas só através de nossas perdas nos tornamos seres humanos plenamente desenvolvidos.
As pessoas que somos e a vida que vivemos são determinadas, de uma forma ou outra, pelas nossas experiências de perda. Esta compreensão ajuda a ampliar o campo de nossas escolhas e possibilidades.
Todos nós, em princípio, lutamos contra as perdas, mas as perdas são universais, inexoráveis e muito abrangentes em nossas vidas.
E nossas perdas incluem não apenas separações e abandonos, mas também a perda consciente ou inconsciente, de sonhos românticos, ilusões de segurança, expectativas irreais e outras.
As perdas que enfrentamos ao longo da vida, e das quais não podemos fugir são:
- Que o amor de nossos pais não é só nosso.
- Que nossos pais vão nos deixar, e que nós vamos deixá-los.
- Que por mais sábio, belo e encantador que alguém seja ninguém tem assegurado casar e " ser feliz para sempre".
- Que temos de aceitar - em nós mesmos e nos outros - um misto de amor e ódio, de bem e de mal.
- Que tudo nesta vida é implacavelmente efêmero.
- Que estamos neste mundo essencialmente por nossa conta.
- Que somos completamente incapazes de oferecer a nós mesmos ou aos que amamos, qualquer forma de proteção contra a dor e contra as perdas necessárias.
- Que nossas opções são limitadas pela nossa anatomia e pelo nosso potencial.
- Que nossas ações são influenciadas pelo sentimento de culpa incutido em nós pela educação que recebemos.
Examinar estas perdas permitem aceitar e modelar melhor os fatos da nossa vida.
Começar a perceber com nossas perdas moldaram e moldam nossas vidas pode ser o começo de uma vida mais promissora e Feliz.

por Judith Viorst